Estive refletindo ultimamente como a minha vida poderia ser hoje se eu tivesse feito outras escolhas, tomado outras atitudes...
Quando vai se discutir futebol, um jogo com lances polêmicos de arbitragem, alguém sempre diz: "Se o juiz tivesse dado aquele penalti, ficaria 1x1 ao invés de 1x0" ou coisas desse tipo. Mas sabemos que isso não é verdade. Se no caso, o juiz tivesse marcado aquele penalti, o jogo a partir daquele momento seria totalmente diferente do que o jogo foi na realidade, no caso, o penalti favoreceria o time momentaneamente, mas qual seria a reação do time adversário após o penalti? Enfim, por isso dizem que não existe "se" no futebol. E assim também é a nossa vida, uma atitude diferente da que tomamos poderia resultar em uma vida inteiramente diferente da que temos hoje.
Se eu tivesse ido àquela festa ao invés da que eu fui, se eu não tivesse terminado o namoro naquela hora, se eu tivesse aceitado aquela proposta de emprego... tantas situações que a gente nem sabe de que forma elas mudariam nossa vida! Para quem já existiu aquele filme "Efeito Borboleta", já faz ideia do que eu to falando, no filme, o protagonista tenta voltar no seu passado para alterar alguns acontecimentos, mas a cada mudança, acontecem efeitos colaterais não imaginados que faz com que a sua vida e a de seus amigos mude muito, sempre com algum prejudicado na história, o que o faz querer retornar em outro ponto, mudar outras coisas para tentar corrigir os problemas, mas ele nunca consegue fazer com que a vida de todos a sua volta seja perfeita.
Então a gente se pega pensando no que a gente poderia ter feito diferente e o que teria mudado em nossa vida, mas a gente nunca vai saber se de fato o que a gente pensou aconteceria mesmo e a gente sempre tende a achar que a nossa vida poderia ser melhor com as outras escolhas, sem saber na verdade se seria ou não. Felizmente ou infelizmente a nossa vida não tem Ctrl+Z, você pode até tentar fazer mais tarde aquilo que você não fez um dia e achava que deveria ter feito, mas por mais que você esteja no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, não vai ser a mesma coisa, pois você não é mais o mesmo, as coisas que aconteceram nesse meio tempo de mudaram de tal forma que você não sente mais a mesma coisa, nem as outras pessoas...
Faça o que achar que tem que fazer, viva a vida, faça as suas escolhas, tome as suas atitudes, mas não olhe para trás, não fique preso ao que poderia ser mas não foi, a vida é como uma caminhada em que não podemos voltar, só seguir em frente, mas com bifurcações suficientes para que possamos mudar o nosso futuro a cada atitude nossa, a cada sim ou não, a cada vez que fazemos o que todo mundo faz, ou que fazemos o que ninguém faria ou que deixamos de fazer o que é comum, cada coisa que passamos nos conduz a um caminho diferente, o importante é seguir sempre em frente.
A vida vai nos surpreender sempre, positivamente ou negativamente, pois nunca conseguiremos controlar tudo o que se passa ao nosso redor, por isso, vamos vivendo, se o hoje é um dia feliz, aproveitemos essa felicidade, mas se é um dia triste, vamos aprender, refletir o que nos levou a essa tristeza e tentar buscar caminhos mais felizes, nunca para trás, baseando nossa felicidade naquilo que já vivemos, mas sempre para frente, assim encontramos coisas boas que jamais havia se passado em nossa cabeça!
Calandreli
Aqui se discute Religião, Futebol e muito mais!
sábado, 18 de junho de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
No Brasil, a acessibilidade vem antes do acesso.
É incrível como as coisas funcionam neste país, mas infelizmente as coisas não são pensadas como um todo, tentam solucionar os problemas apenas na ponta do iceberg, apenas para algumas pessoas, mas não para todos.
Vou dar 3 exemplos práticos, tolos, mas que servem para ilustrar como funcionam as coisas neste país:
1) Preferência dos idosos na fila do banco
2) Ônibus com espaço de cadeirante
3) Cotas em universidades
Aqui na minha cidade, Ribeirão Preto, existe uma lei municipal em que uma pessoa não pode esperar mais de 15 minutos em pé no banco, então o que fizeram? Colocaram mais caixas para atender? Não, colocaram mais cadeiras para as pessoas sentarem. As filas demoram 40 minutos se você tiver com muita sorte, 1 hora, 1 hora e meia, isso para nós, jovens. Não foi uma só vez que vi acontecer, mas já passei algumas vezes por essa experiência, de estar lá, quase 1 hora esperando, eis que chega um idoso, retira a senha, mal adentra o recinto bancário e a sua senha já é chamada lá na frente. Isso é revoltante! Não que os idosos não mereçam ser atendidos de prontidão, mas TODOS NÓS merecemos também! Como uma pessoa normal demora 1 hora na fila e um idoso demora 1 minuto? É muito desigual isso, tirando o fato de que os idosos são os que mais demoram no caixa, demoram a entender as instruções, causando um atraso ainda maior aos demais.
Quanto ao espaço dos cadeirantes, primeiramente eu queria deixar claro que eles precisam sim ter seu direito de ir e vir assegurado, merecem esse espaço dentro do ônibus, mas pelo menos aqui em Ribeirão Preto a coisa não funciona como deveria ser. Das muitas vezes que andei de ônibus, já vi muita gente que teve que ficar em pé ali no lugar do cadeirante devido a retirada dos assentos, em contrapartida, apenas uma única vez eu vi um cadeirante usar aquele espaço, o fato é tão raro que o motorista do ônibus nem sabia como operar o degrau da escada para o cadeirante. Quem conhece o sistema de transporte coletivo de Ribeirão Preto sabe que ele é uma lástima! Se você perder um ônibus, tem que esperar de 30 a 40 minutos para ele passar de novo, isso em dia de semana, de final de semana é coisa de 1 hora pra mais. Todos os ônibus aqui passam pelo centro da cidade, mas nem todo mundo quer ir para o centro, então o trajeto de bairro a bairro ou demora mais porque os ônibus têm que passar pelo centro ou então inexiste, além de causar um engarrafamento violento no centro da cidade em horários de pico.
O sistema de cotas em universidades públicas adotado pelo Brasil é uma coisa ridícula. Não que os cotistas não mereçam essas vagas, mas TODOS NÓS MERECEMOS estudar em faculdade pública. Eu, felizmente, consegui entrar na USP, estou no último ano de curso, em breve já estarei saindo dela, mas poucos sabem o quão difícil foi entrar lá, o quanto eu tive que estudar e me dedicar para poder entrar lá. Eu peço para que aqueles que acham que são só ricos que estudam em faculdade pública visitassem os cursinhos preparatórios e vejam quantos bolsistas que estão lá ralando que nem louco para conseguir entrar, ano após ano e nada conseguem devido ao alto grau de dificuldade e também devido a falta de dinheiro para bancar uma faculdade particular. O discurso pró-cota é muito bonito, mas na verdade está tirando o lugar de alguém que conseguiu uma vaga por mérito, devido a fatores que estão alheios ao esforço desta pessoa.
Mas o que eu quis mostrar com esses três exemplos? O que essas coisas tem em comum uma com a outra? Nos 3 casos eu vejo da seguinte forma, foi pensado em como melhorar o acesso de um devido grupo de pessoas em detrimento dos demais, não foram pensadas soluções definitivas, mas apenas soluções que deveriam ser emergenciais mas que sabemos que vai perdurar por muitos anos. Pra que melhorar o acesso de todos a um caixa de banco, afinal, só os idosos tem pressa, aliás, os idosos muitas vezes são aposentados, não trabalham, e você mero trabalhador, tem que perder seu horário de almoço inteiro ali, as vezes até extrapolar o horário. Pra que melhorar o sistema de transporte coletivo como um todo, ele já está muito bom, podemos tirar vagas de pessoas normais para oferecê-las aos cadeirantes, o cara tem que dar graças a Deus por ser perfeito e poder ficar em pé no ônibus, não precisa sentar. Pra que aumentar o número de vagas nas faculdades públicas? Pra que melhorar as escolas públicas? É só colocar cotas, assim podemos incluir mais as pessoas, assim todo mundo vai ter oportunidade de cursar uma faculdade pública, independente de sua origem.
BULLSHIT!
Vejo na televisão, no dia-a-dia, percebo o povo animado com o "crescimento" do país, como se de uma hora para outra o país se tornasse uma maravilha, simplesmente pelo fato do povo estar consumindo. O povo está consumindo, mas também está se endividando como nunca! Ovo de páscoa em 10x no cartão, passou o Natal e o cara ainda não terminou de pagar o ovo que ele comeu na páscoa!
As pessoas estão consumindo mais, isso é fato, mas a infra-estrutura do país continua uma PORCARIA! Serviços públicos, um lixo! Se o Brasil tem crescido é por conta da iniciativa privada, pois os gastos do governo em infra-estrutura para fornecer uma melhor qualidade de vida e a certeza de crescimento sem gargalos é quase zero.
E o que isso tem a ver com o assunto anterior? TUDO!
O povo brasileiro ao invés de lutar por reformas estruturais, tá todo feliz em poder gastar com o cartão de crédito novo que ganhou. A demora no banco não é culpa do idoso, as pessoas em pé no ônibus não é culpa do espaço do cadeirante, os jovens fora da universidade pública não é culpa dos cotistas, mas a culpa de tudo isso é do governo que não promove uma mudança na estrutura e principalmente nossa, que não exigimos nem do governo e nem das empresas as mudanças que achamos necessárias.
No caso dos bancos, se não houvesse uma puta sacanagem de deixar só 2 pessoas atendendo uma fila de 50 pessoas, não haveria a demora e então ninguém se importaria de ao invés de passar 10 minutos no banco, passar 11 ou 12 para dar preferência a um idoso. Se houvesse oferta de ônibus em mais horários e com rotas mais adequadas, ninguém precisaria ficar em pé no lugar do cadeirante. Se a escola pública fosse boa e se houvesse vagas suficiente para a população brasileiras nas universidades públicas, não haveria necessidade de cotas. Todas as mudanças demandam dinheiro e tempo, mas uma hora ou outra vão precisar ser feitas! Até quando vamos levando tudo com a barriga? Fingindo não estar inserido nos problemas que acontecem, fingindo não se incomodar com o que acontece?
Temos que pensar primeiramente no acesso, para depois pensarmos na questão da acessibilidade. Se a população tem acesso a serviços e produtos de forma satisfatória, não há problemas com a implantação de alguns privilégios, pois afinal não vai afetar tanto o cidadão comum e vai trazer benefícios aos que necessitam, mas quando os serviços e produtos já são insuficientemente oferecidos, qualquer privilégio, por mais merecido que seja, acaba se tornando em transtorno e peso para a população como um todo.
O Brasil precisa de sérias mudanças estruturais, tanto de infra-estrutura quanto de serviços públicos. Além disso, as empresas, incluindo aí os bancos, precisam parar de tratar o cliente (ou consumidor) como um idiota, oferecendo serviços e produtos bem meia boca por preços absurdos!
É, infelizmente o Brasil ainda está longe de ser aquela maravilha anunciada pelo Lula e pela Dilma.
Vou dar 3 exemplos práticos, tolos, mas que servem para ilustrar como funcionam as coisas neste país:
1) Preferência dos idosos na fila do banco
2) Ônibus com espaço de cadeirante
3) Cotas em universidades
Aqui na minha cidade, Ribeirão Preto, existe uma lei municipal em que uma pessoa não pode esperar mais de 15 minutos em pé no banco, então o que fizeram? Colocaram mais caixas para atender? Não, colocaram mais cadeiras para as pessoas sentarem. As filas demoram 40 minutos se você tiver com muita sorte, 1 hora, 1 hora e meia, isso para nós, jovens. Não foi uma só vez que vi acontecer, mas já passei algumas vezes por essa experiência, de estar lá, quase 1 hora esperando, eis que chega um idoso, retira a senha, mal adentra o recinto bancário e a sua senha já é chamada lá na frente. Isso é revoltante! Não que os idosos não mereçam ser atendidos de prontidão, mas TODOS NÓS merecemos também! Como uma pessoa normal demora 1 hora na fila e um idoso demora 1 minuto? É muito desigual isso, tirando o fato de que os idosos são os que mais demoram no caixa, demoram a entender as instruções, causando um atraso ainda maior aos demais.
Quanto ao espaço dos cadeirantes, primeiramente eu queria deixar claro que eles precisam sim ter seu direito de ir e vir assegurado, merecem esse espaço dentro do ônibus, mas pelo menos aqui em Ribeirão Preto a coisa não funciona como deveria ser. Das muitas vezes que andei de ônibus, já vi muita gente que teve que ficar em pé ali no lugar do cadeirante devido a retirada dos assentos, em contrapartida, apenas uma única vez eu vi um cadeirante usar aquele espaço, o fato é tão raro que o motorista do ônibus nem sabia como operar o degrau da escada para o cadeirante. Quem conhece o sistema de transporte coletivo de Ribeirão Preto sabe que ele é uma lástima! Se você perder um ônibus, tem que esperar de 30 a 40 minutos para ele passar de novo, isso em dia de semana, de final de semana é coisa de 1 hora pra mais. Todos os ônibus aqui passam pelo centro da cidade, mas nem todo mundo quer ir para o centro, então o trajeto de bairro a bairro ou demora mais porque os ônibus têm que passar pelo centro ou então inexiste, além de causar um engarrafamento violento no centro da cidade em horários de pico.
O sistema de cotas em universidades públicas adotado pelo Brasil é uma coisa ridícula. Não que os cotistas não mereçam essas vagas, mas TODOS NÓS MERECEMOS estudar em faculdade pública. Eu, felizmente, consegui entrar na USP, estou no último ano de curso, em breve já estarei saindo dela, mas poucos sabem o quão difícil foi entrar lá, o quanto eu tive que estudar e me dedicar para poder entrar lá. Eu peço para que aqueles que acham que são só ricos que estudam em faculdade pública visitassem os cursinhos preparatórios e vejam quantos bolsistas que estão lá ralando que nem louco para conseguir entrar, ano após ano e nada conseguem devido ao alto grau de dificuldade e também devido a falta de dinheiro para bancar uma faculdade particular. O discurso pró-cota é muito bonito, mas na verdade está tirando o lugar de alguém que conseguiu uma vaga por mérito, devido a fatores que estão alheios ao esforço desta pessoa.
Mas o que eu quis mostrar com esses três exemplos? O que essas coisas tem em comum uma com a outra? Nos 3 casos eu vejo da seguinte forma, foi pensado em como melhorar o acesso de um devido grupo de pessoas em detrimento dos demais, não foram pensadas soluções definitivas, mas apenas soluções que deveriam ser emergenciais mas que sabemos que vai perdurar por muitos anos. Pra que melhorar o acesso de todos a um caixa de banco, afinal, só os idosos tem pressa, aliás, os idosos muitas vezes são aposentados, não trabalham, e você mero trabalhador, tem que perder seu horário de almoço inteiro ali, as vezes até extrapolar o horário. Pra que melhorar o sistema de transporte coletivo como um todo, ele já está muito bom, podemos tirar vagas de pessoas normais para oferecê-las aos cadeirantes, o cara tem que dar graças a Deus por ser perfeito e poder ficar em pé no ônibus, não precisa sentar. Pra que aumentar o número de vagas nas faculdades públicas? Pra que melhorar as escolas públicas? É só colocar cotas, assim podemos incluir mais as pessoas, assim todo mundo vai ter oportunidade de cursar uma faculdade pública, independente de sua origem.
BULLSHIT!
Vejo na televisão, no dia-a-dia, percebo o povo animado com o "crescimento" do país, como se de uma hora para outra o país se tornasse uma maravilha, simplesmente pelo fato do povo estar consumindo. O povo está consumindo, mas também está se endividando como nunca! Ovo de páscoa em 10x no cartão, passou o Natal e o cara ainda não terminou de pagar o ovo que ele comeu na páscoa!
As pessoas estão consumindo mais, isso é fato, mas a infra-estrutura do país continua uma PORCARIA! Serviços públicos, um lixo! Se o Brasil tem crescido é por conta da iniciativa privada, pois os gastos do governo em infra-estrutura para fornecer uma melhor qualidade de vida e a certeza de crescimento sem gargalos é quase zero.
E o que isso tem a ver com o assunto anterior? TUDO!
O povo brasileiro ao invés de lutar por reformas estruturais, tá todo feliz em poder gastar com o cartão de crédito novo que ganhou. A demora no banco não é culpa do idoso, as pessoas em pé no ônibus não é culpa do espaço do cadeirante, os jovens fora da universidade pública não é culpa dos cotistas, mas a culpa de tudo isso é do governo que não promove uma mudança na estrutura e principalmente nossa, que não exigimos nem do governo e nem das empresas as mudanças que achamos necessárias.
No caso dos bancos, se não houvesse uma puta sacanagem de deixar só 2 pessoas atendendo uma fila de 50 pessoas, não haveria a demora e então ninguém se importaria de ao invés de passar 10 minutos no banco, passar 11 ou 12 para dar preferência a um idoso. Se houvesse oferta de ônibus em mais horários e com rotas mais adequadas, ninguém precisaria ficar em pé no lugar do cadeirante. Se a escola pública fosse boa e se houvesse vagas suficiente para a população brasileiras nas universidades públicas, não haveria necessidade de cotas. Todas as mudanças demandam dinheiro e tempo, mas uma hora ou outra vão precisar ser feitas! Até quando vamos levando tudo com a barriga? Fingindo não estar inserido nos problemas que acontecem, fingindo não se incomodar com o que acontece?
Temos que pensar primeiramente no acesso, para depois pensarmos na questão da acessibilidade. Se a população tem acesso a serviços e produtos de forma satisfatória, não há problemas com a implantação de alguns privilégios, pois afinal não vai afetar tanto o cidadão comum e vai trazer benefícios aos que necessitam, mas quando os serviços e produtos já são insuficientemente oferecidos, qualquer privilégio, por mais merecido que seja, acaba se tornando em transtorno e peso para a população como um todo.
O Brasil precisa de sérias mudanças estruturais, tanto de infra-estrutura quanto de serviços públicos. Além disso, as empresas, incluindo aí os bancos, precisam parar de tratar o cliente (ou consumidor) como um idiota, oferecendo serviços e produtos bem meia boca por preços absurdos!
É, infelizmente o Brasil ainda está longe de ser aquela maravilha anunciada pelo Lula e pela Dilma.
terça-feira, 26 de abril de 2011
O mercado de games no Brasil
Este é o meu primeiro post, neste novo blog, no qual pretendo falar sobre vários assuntos como política, economia, religião, cultura, enfim, o que me der na telha.
Tinham vários assuntos dos quais eu gostaria de iniciar este blog, mas resolvi escolher o mercado de games no Brasil por ter lido hoje cedo uma postagem no blog DingooBR (http://www.dingoobr.com/aumentam-os-rumores-da-possivel-falencia-da-dynacom/) que daria conta da falência da antiga e conhecida empresa Dynacom, que por longos anos vendeu o Dynavision, clone tupiniquim do NES.
Outro motivo que me leva a escrever este post, é o fato de a cada dia, no fórum Zeebo Brasil se constatar que o projeto não vai ter mais investimentos no Brasil, que está "congelado", sem lançamento de novos jogos, com a saída de muitos nomes da empresa (Zeebo Brasil e não Tectoy), apenas a manutenção da rede 3G ativa e a venda dos (poucos) títulos atuais, alguns a preços promocionais e alguns boatos de que o console deixou de ser produzido, que estão vendendo apenas as últimas unidades nas lojas e não haverá reposição.
Esses dois fatos podem ser interpretados por algumas pessoas como se o mercado brasileiro de jogos não fosse mais o mesmo dos anos 80 e início dos anos 90, e na realidade não é, nem aqui no Brasil nem em lugar nenhum. Apesar disso, a postura da Dynacom e da Tectoy ainda é daquela época. As duas empresas que mais representam o Brasil no mercado de jogos estão muito mal nesse mercado.
Analisando o comportamento dessas 2 empresas, podemos perceber como a sociedade brasileira, no geral, enxerga os games. As 2 empresas tiveram atitudes parecidas, passaram mais de 20 anos vendendo o mesmo produto, dando algumas repaginadas, leves incrementadas e tentando iludir os consumidores de que aquilo era algo bom, era algo novo, de qualidade, quando na verdade era algo velho requentado. Outra coisa em que as 2 empresas se assemelham foi pelo fato de nos últimos anos estarem diversificando o catálogo com produtos de outras áreas, a Dynacom indo pro ramo de MP3 e MP4 Players, Câmeras Digitais e a Tectoy indo pro ramo de aparelhos de DVD com karaokê, blu-ray e etc.
Mas o que está acontecendo com o mercado de games do Brasil então? Está em declínio? NÃO! Pelo contrário, é um mercado de muitas oportunidades a serem exploradas ainda. Mas, antes de falar sobre o mercado de games, vamos falar um pouco sobre cada uma individualmente:
Tectoy: A Tectoy na década de 90 devia ser a maior empresa de games no Brasil, ou então estar bem próximo da Playtronic, mas com o declínio da SEGA no ramo dos consoles e os problemas enfrentados pelas empresas no Brasil que se financiaram com capital externo e no final da década viram suas dívidas duplicarem de valor, a empresa começou a acumular prejuízos atrás de prejuízos, hoje chegam à casa dos 100 milhões de prejuízos acumulados.
Sega Saturn, um dos principais responsáveis pela queda da Sega.
A principal falha da Tectoy foi ter se vinculado demais com a SEGA, não diversificou sua gama de produtos, apenas fez alguns rom hack's e não investiu de fato na produção de games para o mercado brasileiro, se na época a Tectoy tivesse investido na produção de games, com a queda da SEGA ou mesmo sem, ela poderia produzir para outros consoles e conseguir se manter independente do sucesso ou fracasso de algum console ou empresa.
Outra coisa em que a TecToy falhou (no meu ponto de vista) foi não distribuir mais os jogos da SEGA (para PS2, Wii, PS3...), que hoje são distribuídos no Brasil pela Synergex do Brasil.
Zeebo, o #EPICFAIL da TecToy e da Qualcomm
Um #EPICFAIL da TecToy foi o Zeebo. Ideia que nasceu no Brasil, com Reinaldo Normand, mas como a TecToy não tinha capital nem know-how para desenvolvê-lo, precisou da ajuda da Qualcomm (empresa norte americana que produz chips, processadores e trabalha na parte de celulares também). O Zeebo tinha tudo para ser um sucesso, o mercado brasileiro há muito esperava por essa iniciativa, ansiava por um produto que o Zeebo prometia ser. Mas a falta de visão do mercado e algumas decisões muito erradas levaram o console ao fracasso. Algo do tipo "as crianças pobres do terceiro mundo aceitarão qualquer porcaria, então pra que caprichar?". Eu já escrevi uma análise mais completa sobre o Zeebo (e até então otimista), pra quem quiser ler: http://hardrockgames.blogspot.com/2010/10/zeebo-um-estudo-de-caso-completo.html
Mega Drive 4 Guitar Idol, um emulador repaginado, para dar a este velho uma aparencia mais jovial!
Outra falha da TecToy, no meu ponto de vista, foi a mudança no hardware do Mega Drive. O MD4 atual não é mais um Mega Drive, mas sim um equipamento que emula o Mega Drive (e muito mal, por sinal). O que faz com que nem os retrogamers tenham interesse no console, visto que não aceita mais cartuchos....
Então, agora a Tectoy tenta se re-erguer trabalhando com a venda de aparelhos de blu-ray e dvd, além da produção e licenciamento de jogos para celulares e jogos casuais para orkut e facebook (jogos estes que ainda não sairam do papel).
Dynacom: Não sei como uma empresa consegue sobreviver por tanto tempo com um produto ridículo e defasado como o Dynavision.
Wii Vision, vamos mudar o visual e dar o nome de console novo para iludir os otários!
Essa empresa ao longo dos anos não buscou novas oportunidades no mercado, estabeleceu o seu público-alvo como as crianças pobres, tolas e inocentes do terceiro mundo que não ligam para gráficos e não possuem informação suficiente para saber que aquele produto é uma porcaria, não tentou produzir games, consoles, nada, simplesmente se conformou com essa fatia do mercado.
Quando a empresa começou a perceber que não teria futuro vendendo um produto de 30 anos atrás, começou a diversificar sua linha de produtos, vendendo agora produtos chineses montados no Brasil, onde o único esforço necessário seria colocar o logotipo dela no produto. Foi assim com MP3's, MP4's, Câmeras Digitais e afins.
No ano de 2010, a Dynacom causou burburinho na "cena retrô" com o anúncio do console Cybergame, que nada mais é do que o chinês Letcool N200 com uma outra roupagem. O fato é que o firmware do console (assim como de todos os outros gadgets que utilizam o chipset Sunplus 8000, conhecidos como PMP8000) é bem meia boca e a emulação dos jogos deixa muito a desejar, além disso, a Dynacom substituiu as entradas USB por entradas daquelas tipo controle do Mega Drive, o que limou a possibilidade do usuário poder colocar outros controles no console.
Provavelmente, as últimas cartadas da Dynacom!
No mesmo 2010, a Dynacom causou também na "cena dingoo", portátil chinês multi-funcional e código aberto, que possui um Linux (Dingux) rodando nele, muito conhecido pela internet. A atitude em si não é ruim, eu mesmo acabei comprando um, mas mostra a limitação da empresa em não fazer nada novo, apenas fazer o que sempre fez, ou seja, copiar.
Com os recentes indícios de falência, parece que as tentativas da empresa em 2010 foram tardias, não tendo tempo suficiente para alterar a situação da empresa.
Terminada a análise das empresas, vamos analisar o mercado:
Desde o fim dos anos 90, muitas empresas desistiram de investir no Brasil e a pirataria tomou conta. Muitos atribuem o sucesso dos consoles da Sony, Playstation 1 e 2, ao fato de serem facilmente pirateados. Mas o fato é que o Brasil ficou muitos anos sem nenhuma empresa para representar as gigantes do mercado mundial: Sony, Nintendo e Microsoft.
Mas quais foram os fatores que levaram a essa decisão? A alta carga tributária com certeza está entre elas. A visão simplista das empresas de "Terceiro Mundo = Pirataria" também contribuiu.
Apesar da falta de apoio oficial, pode até ter havido uma redução no consumo de games, dada em partes pela redução da oferta, mas não tão significativo, sempre houve quem comprasse jogos originais, independentemente do preço.
O que está forte no Brasil já há algum tempo é o chamado "mercado cinza", que consiste na compra de consoles e jogos no exterior, ou seja, a compra de produtos oficiais que ou são importados de forma irregular ou mesmo de forma regular, mas que não possuem suporte no país.
O fato é que o brasileiro não perdeu o interesse pelos games, nem deixou de consumir. Há demanda, mas há também a necessidade das empresas em oferecer algo de qualidade com um preço mais acessível. Há demanda para jogos casuais, para jogos hardcore, em console ou em celular. Faltam empresas capacitadas em oferecer ao mercado o que o consumidor quer, e não os fazê-los de trouxa, vendendo porcaria.(como a Tectoy e a Dynacom fizeram durante longos anos com Mega Drive e Dynavision).
Um dos fatores que mais atrapalham as empresas brasileiras é, além da falta de mão-de-obra qualificada neste ramo, a cultura da nossa sociedade de que "videogame é coisa de criança", enquanto observamos no mundo todo que a média de idade dos jogadores tem crescido a cada novo levantamento, sendo normal pessoas de 30, 40 anos jogando video-game, enquanto no Brasil, as pessoas dessas idades que jogam se sentem de certa forma envergonhadas por estarem fazendo uma "coisa de criança". Essa mentalidade idiota atrapalha e muito na regulamentação e na tributação do setor, pois os políticos, são membros da mesma sociedade e compartilham da mesma mentalidade, não colocando os games como prioridade na hora de apresentar/votar algum projeto de lei e afins. Essa mentalidade nos ajuda a entender o comportamento das duas empresas analisadas (Dynacom e TecToy).
Com o aumento do poder aquisitivo da população brasileira verificado nos últimos anos, associado ao aumento da oferta de crédito ao consumidor, o Brasil se torna um mercado interessante a ser explorado.
As empresas parecem ter percebido esse potencial no Brasil, no ano passado houve um despertar para o mercado brasileiro, que há muito estava a margem do mercado mundial de games, com a chegada de forma oficial da Sony e da Microsoft. Veremos agora se nós gamers conseguiremos uma redução dos preços através da produção local e da redução da carga tributária, que hoje é absurda sobre os games.
Um mercado que fatura mais que o mercado do cinema e da música no mundo todo, mas ainda engatinha no Brasil, devido a falta de competência das empresas brasileiras e da falta de interesse de muitas empresas estrangeiras devido à alta carga tributária e à pirataria, além de uma visão preconceituosa por parte da população que não colabora em nada com o desenvolvimento deste mercado aqui no Brasil são alguns dos fatores que nos levam a entender o atual estágio do mercado brasileiro de games.
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